Geraldo Nunes – Os grandes sucessos

Capa

Colaboração do Lourenço Molla, de João Pessoa – PB

Selo ASelo B

“Esse não é um disco de forró, mas tem duas de sucesso na área!”

Verso

Os forró são: “Mentira cabeluda” de Geraldo Nunes – Joca de Castro; e “Velha debaixo da cama” de Jonas de Andrade.

Geraldo Nunes – Os grandes sucessos
1983 – Arara

01. Não toque esta música (Antonio José – Célio Roberto)
02. Tu (Orloff – Kunze – Cleide Dalto)
03. Quarto de mansão (Zé da Praia – Paulo de Paula)
04. Secretária da beira do cais (Xavier – Nenzinho)
05. Vestido molhado (Haroldo José – Teixeira Filho)
06. Cidadão (Lúcio Barbosa)
07. Mentira cabeluda (Geraldo Nunes – Joca de Castro)
08. O bem amado (Antonio Queiroz – Monalisa)
09. Colcha de retalhos (Raul Torres)
10. As vezes tu, as vezes eu (J. Iglesias – Cecilia – Fernando Adour)
11. O exorcista (Bento Ribeiro – Monalisa)
12. Velha debaixo da cama (Jonas de Andrade)
13. O bom rapaz (Geraldo Nunes)
14. Ensinando lambada (Dom Casmurro – Villafontana)

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ForróKimbó – Forró Quimbó

Colaboração do Cacai Nunes, do Blog Acervo Orígens

“Olha aí, mais um pé-de-serra candango, da época que Brasília tinha mais poeira do que concreto. Como o Acervo Origens já mencionou várias vezes, é difícil encontrar informações sobre os trios de forró brasilienses porque eles fizeram uma história que foi parcamente registrada. O forró começou em Brasília junto com a construção da cidade. Isso tem a ver, é claro, com as pessoas que vieram para cá.

Entre os pioneiros, havia muitos nordestinos. De fato, a região sudeste foi a origem da maior parte dos pioneiros em Brasília. Em segundo lugar, ficou a região nordeste. O padrão de migrantes em Brasília, contudo, refletia as disparidades sócio-econômicas do restante do país: aqueles vindos do sudeste possuíam maior renda (inclusive porque boa parte do quadro da administração federal era formada por cariocas), enquanto os nordestinos eram mais pobres.

Assim, naturalmente, houve grande afluxo de nordestinos para os acampamentos e para as cidades satélites (embora, convém ressaltar, foram também muitos nordestinos que se instalaram na região central do Distrito Federal). Mas nem tudo saiu como o planejado. Alguns dos acampamentos, criados para serem posteriormente destruídos, permanecem até hoje, porque seus habitantes se recusaram a sair.

Esse foi o caso a Cidade Livre, criada em 16 de dezembro de 1956, com o intuito de servir como almoxarifado durante a construção de Brasília, que acabou se convertendo em um importante centro. Nela havia um comércio dinâmico, em que funcionavam padarias, açougues, hotéis, empresas de transportes, lojas de confecções, restaurantes, cinemas, feiras, carpintarias, agências bancárias, lojas de automóveis, quitandas, colégios, escolas.

Se tinha tanta vida na Cidade Livre, havia também diversão. Um dos locais mais lembrados pelos pioneiros era a famosa a Casa de Mariazinha, que abrigava os boêmios da Cidade Livre. Considerando a maciça presença de nordestinos, é evidente que ali havia música nordestina, tanto tocada em rádios e vitrolas, quanto executada ao vivo por migrantes que chegavam em Brasília trazendo instrumentos. De fato, há referências à presença marcante da música nordestina na Cidade Livre.

Havia os famosos alto-falantes no topo dos postes, que jorravam música nordestina. Pioneiros falam também da existência de instrumentos à venda no comércio da Cidade Livre. Eronildes Queiroz, um pernambucano que chegou ao planalto central na década de 1950, discorrendo sobre a riqueza do comércio da Cidade Livre, em entrevista concedida ao Arquivo Público do Distrito Federal, afirmou: ‘ia lá no Bandeirante, comprava uma sanfona, outro comprava um violão, outro comprava um radiozinho’.

De fato, a música nordestina foi a trilha sonora dos candangos mais humildes. O eminente musicólogo José Ramos Tinhorão, na obra “Os Sons que Vêm da Rua”, no capítulo dedicado ao forró, cita Brasília como um dos três grandes centros de produção do forró, juntamente com o Rio de Janeiro e São Paulo. Para Tinhorão, os forrós eram casas de dança, onde eram tocados ritmos nordestinos, principalmente o baião, o xote, o xaxado, e outros, geralmente por trios formados por zabumba, triângulo e sanfona.

Afirma ele:’Surgidos durante a segunda metade da década de 1950, quando a migração de nordestinos para o Rio de Janeiro São Paulo e Brasília tinha chegado ao seu auge, na esteira da eufórica construção da capital e da correria imobiliária paralela à explosão industrial na região Centro-Sul, os forrós constituíram um curioso exemplo de acomodação de interesses e expectativas culturais no âmbito das camadas mais humildes daquelas três cidades’.

Tinhorão afirma, também, que os nordestinos migrantes, que vinham de áreas rurais ainda presas a um sistema de exploração da terra praticamente feudal, eram mão de obra sem nenhuma especialização, de forma que serviam somente à construção civil. Como Brasília era um imenso canteiro de obras, aqui eles tinham fartas oportunidades, ainda que o trabalho e a vida fossem duros e cheios de sacrifícios. É interessante o modo como Tinhorão descreve a gênese dos salões de forró. Segundo ele, era nos intervalos do árduo trabalho (sempre às noites de segunda a sábado, e tardes de domingo), que os trabalhadores vindos de diversos pontos do nordeste, tentavam retomar seus contatos culturais.

Para isso, era necessário conciliar suas diferenças culturais, o que foi realizado com extrema criatividade. Ele conta que os nordestinos da área rural, que traziam a tradição das cantorias com viola, rabeca e sanfona, encontravam-se com os tiradores de côco da zona litorânea, fortemente ligados à percussão. Segundo ele, em Brasília esse processo foi ainda mais rico, porque havia ainda a presença de goianos da zona violeira, de mineiros ligados à música rural e urbana e de cariocas, ligados ao samba e ao choro.

Os migrantes nordestinos compartilhavam o orgulho de suas raízes de tinham consciência da originalidade de suas criações, de forma que fizeram esforços para conservá-las e valorizá-las. Dentre esses esforços, havia, logicamente, a realização de eventos periódicos com música; também havia estabelecimentos comerciais, como bares, restaurantes e casas de espetáculos, cujos proprietários abrigavam bailes de arrasta-pé. Havia também produtores culturais que promoviam apresentações e eventos independentes, com artistas de Brasília e convidados de outros locais.

Inclusive grandes nomes do forró no Brasil vinham a Brasília com grande freqüência. Podemos citar, como exemplos, o sanfoneiro Dominguinhos, que morou na cidade por alguns anos, e Jackson do Pandeiro, que até mesmo fez uma música em homenagem à cidade, denominada Rojão de Brasília. Mas ocorre que nunca houve grande esforço oficial de promoção ou valorização do forró, tampouco empenho para registrar sua história e criar a memória de um gênero musical que efetivamente floresceu na capital.

De fato, o forró, na capital federal, sempre foi tratado, até por aqueles que efetivamente participaram dos movimentos de fixação e fortalecimento do gênero aqui, como simples entretenimento, e não como tradição cultural, à qual deveriam ser dedicados esforços de preservação e valorização. Dentre os inúmeros trios de forró que tocaram no planalto central, três merecem destaque pela excelente qualidade. São o Trio Siridó, o Trio Paranoá e o ForróQuimbó. Destaque para Arengando Arengando, de Anastácia.”

ForróKimbó – Forró Quimbó
1976 – Arara

01-Forró badalação (Kim de Oly)
02-Estou morrendo de saudade (José Carlos-Castanheiro)
03-Forró-quimbó (Kim de Oly-Edinho Maia)
04-Ei pissiti (Kim de Oly-Antônio Cecílio)
05-Querido Maceió (Paulo Jitirama-Josilima)
06-Não deu certo aquilo (Antonio Trajano-Zé do xaxado)
07-Por entre sons de viola (Belizario-Diferraz)
08-O gabola (Kim de Oly-Geraldo Nunes)
09-Sete meninas (Toinho-Dominguinhos)
10-Arengando arengando (Anastácia)
11-Me dá um cheirinho (Jorge Rangel-Edinho Maia)
12-Homenagem a surubim (Lú-Zé do Xaxado)

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Quem somos

Somos uma rede filantrópica colaborativa de colecionadores e músicos.

Uma comunidade que se conheceu e se comunica virtualmente, unidos em torno de uma paixão comum, o forró tradicional.

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Um grade abraço,
DJ Ivan

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