Marinês e Rosil Cavalcanti

Marinês e Rosil Cavalcanti

*Colaboração do Marcos Farias

Marinês, Rosil e sua esposa: Dona Maria das Neves Moura Cavalcanti.

Livro – Andanças de Rosil Cavalcanti – Pra dançar e xaxar na Paraíba – por Rômulo Nóbrega e José Batista Alves

CAPA ROSIL BANNER (Medium)

Livro – Andanças de Rosil Cavalcanti – Pra dançar e xaxar na Paraíba – por Rômulo Nóbrega e José Batista Alves (2015)

Contra capa escaneado

O livro foi lançado dia 1º de outubro DE 2015 e em termos de lançamento, em Campina Grande – PB, foi sucesso. Um evento muito elogiado, muito bom. Teve presença de Jessier Quirino, Amazan, participação musical de Jurandy da Feira, Biliu de Campina, Chico Salles, Heloísa Olinto, Luizinho Calixto dentre outros.

Centenários de 2015

*Informações enviadas pelo pesquisador e escritor Rômulo Nóbrega, de Campina Grande – PB.

“Talvez já saibas, este ano de 2015 é o centenário de nascimento de um bocado de gente.

Vejamos:

– Humberto Teixeira, em 05 de Janeiro
– Ruy Rey, cantor, (Domingos Zeminian), em 04 de janeiro;
– Abel Ferreira, em 15 de fevereiro;
– Haroldo Barbosa, em 21 de Março;
– Gilberto Alves e Aurora Miranda, 15 de abril;
– Luiz Bittencourt, 06 de maio;
– Garoto, 28 de junho;
– Jair Amorim, 18 de julho;
– Fernando Lobo, 26 de julho. Este é pai de Edu Lobo;
– Roberto Roberti, 09 de agosto;
– Orlando Silva, 03 de Outubro
– Grande Otelo, em 18 de outubro;
– Raul de Barros, em 25 de novembro;

(os dados acima foram retirados do livro ‘A Canção No Tempo’, vol I 1901-1957, 3a edição, de autoria de Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo.

Ainda tem o cantador Lourival Batista e o sanfoneiro de 8 baixos Gerson Filho, ex esposo de Clemilda, falecida recentemente, e Rosil Cavalcanti, em 20 de dezembro.”

Rosil Cavalcanti

Rosil

Primeira foto: “Rosil em apresentação na Rádio Borborema, em Campina Grande.”

Fotos enviadas pelo Rômulo Nóbrega, de Campina Grande – PB.

“Neste sábado, dia 20 de dezembro de 2014, Rosil Cavalcanti estaria completando seus 99 anos.”

Forro de Ze Lagoa Rosil caracterizado p

Segunda foto: “Esta agora é a forma como ele fazia o Forró de Zé Lagoa, o programa apresentado na Rádio Borborema. Ele se caracterizava todo. Neste caso, era de auditório, às sextas-feiras.”

Rosil Cavalcanti

foto 20 (rosil cavalcanti)

* Colaboração do Sandrinho Dupan, de Campina Grande – PB

“Rosil em foto dedicada ao casal Jackson e Almira”

Jackson e Rosil Cavalcanti

foto 18 (jackson e rosil cafe com leite)

* Colaboração do Sandrinho Dupan, de Campina Grande – PB

“…Jackson e Rosil Cavalcanti eles faziam um dupla de humor que se chamava ‘café com leite’.”

post image

Saudades de Café com Leite

Recebemos esse texto do Jonas Duarte, professor doutor do Departamento de História da UFPB, em João Pessoa – PB. (Texto escrito em 10/06/2008)

cafa-com-leite (Foto extraída do livro/biografia do Jackson)

“Hoje, 10 de julho, marca o desaparecimento físico de dois dos maiores artistas brasileiros. Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro. Rosil e Jackson formaram uma unidade sonora, expressando a alma brasileira, em especial a nordestina.

Rosil veio para Paraíba, de Macaparana, Pernambuco, logo cedo. Atrás de estudo e trabalho. Trouxe consigo o brejeirismo e a poesia daquelas encostas chuvosas da Borborema sudeste, coalhada de pequenos produtores de banana e mandioca. Culto e talentoso, dono de uma forma poética típica da nossa “nordestinidade”, que se algum crítico, algum dia procurar caracterizar, rotular, necessariamente falará de um “realismo nordestino”. Suas músicas eram crônicas da vida do povão dos agrestes, brejos e sertões do Nordeste. Em suas narrativas, muito de comédia e drama; de João Grilo e Djacyr Menezes; de Zé da Luz e Zélins; de Zé Limeira e Gilberto Freyre. Seus forrós, baiões, rojões ou lamentos eram a expressão rítmica da vida nordestina.

Jackson do Pandeiro nasceu José Gomes Sobrinho, em Alagoa Grande, Paraíba. Foi durante um tempo Jac (influência dos bang-bang estadunidenses da época), mudou-se para Campina Grande cedo em busca de trabalho. Carregava balaios de pães na cabeça entregando das padarias nas bodegas de alguns bairros. Muito pobre era moleque de rua durante o dia e Bedegueba (palhaço) de Pastoril à noite. Vivia nos cabarés da feira central de Campina. As donas dos cabarés lhes davam guarida, dormida e comida. Já se percebia o talento, a ginga.

Nos anos 40, Rosil e Jackson se encontraram na capital paraibana. Formaram a dupla Café com Leite na Rádio Tabajara. Café era Jackson (negro, descendente dos crioulos da Caiana, do quilombo de Alagoa Grande), Leite era Rosil, sua pele branca justificava o apelido. Nascia o imponderável. Jackson já era artista do povo daqui e queria ser artista do Brasil. Rosil era um poeta, que nas horas vagas se dedicava àquela arte.

Jackson seguiu em busca de seu destino. Foi para Recife. Rosil seguiu para Campina Grande, onde foi trabalhar como fiscal de renda, fiscalizando a qualidade do algodão comercializado na “Liverpool das Américas”, como chamavam Campina na época. Campina era a potência econômica de todo Nordeste. Ali sempre estava cheio de gringos e paulistas. Vinham em busca do “Ouro branco” dos sertões. Campina tinha um ar metropolitano em comparação as pequenas cidades espalhadas Nordeste adentro. Era uma extensão de Recife. O trem que transportava o algodão e as riquezas paraibanas ligava Campina a Recife, via Itabaiana. Daí que, em Campina se respirava muito dos ares cosmopolita recifense. Ao mesmo tempo Campina recebia o sertão diariamente. Levas de sertanejos almocreves transportavam sua produção e sua cultura ao entroncamento da Borborema. Ali se vivia um clima propício à poesia. Ali efervescia um movimento cultural espontâneo, síntese de uma região, que no processo de industrialização nacional se amoldava como a parte “atrasada” de um capitalismo desigual e combinado que se configurava no Brasil, seguindo os moldes do capitalismo mundial.

Em Campina, Rosil não continha seu impulso artístico. Foi trabalhar na rádio Borborema. Criou um programa de noticiário policial Radar, ancestral de qualidade desses folhetins deploráveis que se tornaram os boletins polícias das emissoras de rádio de hoje em dia, apenas expressando a situação também deplorável que se vive no “submundo” do crime. Mas, o grande sucesso de Rosil foi o “Forró do Zé Lagoa”. Programa de forró que animava as noites de toda a Borborema. Do Cariri ao Brejo, onde chegavam as ondas sonoras em Amplitude Modulada (AM), da Rádio Borborema. As pessoas paravam para ouvir o Zé Lagoa. O aparelho de rádio se popularizava em Campina Grande e em seus arredores e Zé Lagoa (Rosil Cavalcanti) era a estrela maior. Sua audiência era total. A Rádio Borborema tinha auditório e o Programa era transmitido do auditório, ao vivo. Ali se fez concurso de sanfoneiro, de dançarino, de beleza, de teatro, etc. Na realidade era uma rádio-teatro. Rosil tinha um carisma impressionante e cativava todos e todas. Os artistas famosos da Rainha da Borborema e de todo o Nordeste tinham presença garantida nos finais de semana. Campina virou uma espécie de centro da cultura regional.

Rosil não parava de compor. Certo dia enviou para o amigo Jackson, uma “brincadeira” musical para Jackson “improvisar” em suas apresentações quase sempre frustradas na rádio Jornal do Comércio. Nesse dia Jackson se soltou. Entrou no palco com a ginga dos sambistas que conheceu no “Zepa”, em Campina Grande, com os ritmos das coquistas de seu quilombo em Alagoa Grande, com as mugangas dos tempos de Bedegueba em cima de caminhões em pastoris por Queimadas, São José da Mata, Bodocongó, Ligeiro, Barracão de Luiz de Melo, etc. Entrou com um pandeiro na mão e gritou: Convidei a cumade Sebastiana pra dançar um xaxado na Paraíba. Ela veio cum uma dança diferente pulava qui só uma guariba e gritava A, E I, O, U ipsilone. Nesse dia nasce Jackson ou JackSOM do Pandeiro. O sucesso da “Cumade Sebastiana” que recebeu o título de Sebastiana foi tanto que em pouco tempo, os palcos de Jackson eram no Rio de Janeiro e São Paulo. A música do Nordeste deixou de ser só o Baião do Lua do Nordeste, o Gonzagão, para ser também: o Rojão e o Forró; o Coco. Jackson vai “empareiar-se” com Gonzaga em termo de sucesso, de apelo popular. Vai fazer sombra ao Lua do Sertão. Gonzaga já abrira as portas da Indústria Fonográfica para a música originária da parte “atrasada” do Brasil. Jackson escancara.

Rosil não deixara Campina. Ali havia criado raízes. Sentia-se em casa. Era de fato, sua casa e sua família. Nas madrugadas de sextas, sábados e/ou domingos ele juntava uma trupe e ia caçar em alguma fazenda próxima a Campina. Nessas caçadas de nhambu, caçava também talentos e, sobretudo, a alma popular nordestina. Nessas caçadas Rosil encontrou os sanfoneiros Pedro Mendes, Diomedes, Josinaldo, Chicó e tantos outros que ele levava para as apresentações em seu Programa. Também promoveu os forrozeiros de Oito Baixos e cantores da mais autêntica música brasileira, produzida ali entre os penhascos da Borborema. Vivia-se a época de ouro do Forró.

Em suas fugas, Rosil preferia o Cariri. Tinha um cantinho preferido na Vaca Brava ou Tôco do Pade, hoje Campo de Emas, onde nasci, vivi e retorno quando posso. Lá, Zé Lagoa, como o chamavam, enrolava seus amigos, dizendo-se caçador, dava uma volta e apreciava a paisagem caririzeira. Voltava antes de todo mundo, tomava uma “bicada” na “Bodega de Hemetério” e armava uma rede, sempre limpa e pronta para o Zé Lagoa, sob a sombra carinhosamente organizada pelos galhos de uma Quixabeira e de um Umbuzeiro, entrelaçados. Parece, sabiam as árvores, que ali estava um ramo seu, um poeta de suas dores e alegrias. O chão sempre limpo, pois rodas de aprendizes de sanfoneiros e sanfoneiros já premiados se “aprochegavam” à Rosil para criarem versos, músicas e brincarem ao dedilhar da sanfona de Pedro Mendes. Ali nasceu Meu Cariri e Aquarela Nordestina, duas das mais lindas canções de Rosil. Suas andanças nas terras caririzeiras também o instigaram à Festa do Milho e diversas outras que fizeram e fazem nordestinos chorarem Brasil afora.

No dia 10 de julho de 1968, no início da tarde, Rosil se sentiu mal quando descansava sob a sombra do Umbuzeiro e da Quixabeira. Pediu um chá para “desempachar”, reclamou mais uma vez do mal-estar e anunciou: vou pra Campina, não estou bem. Na noite daquele dia, como em todos os outros, moradores, trabalhadores rurais, fazendeiros e a população daquela área em geral se aglutinava nas casas onde havia um Rádio, daqueles grandes, a bateria, pra ouvir o Forró de Zé Lagoa. Em vez da música introdutória na voz vibrante de seu parceiro Café, dizendo: se você não viu, vá ver que coisa boa, em Campina Grande, o Forró do Zé Lagoa, se ouviu uma fúnebre anunciando o falecimento do poeta da caatinga, dos cariris, do Nordeste. O Nordeste parou. Campina Grande assistiu a mais profunda comoção que a atingira. Desaparecera subitamente sua síntese poética, suas alegrias e suas tristezas. Os contornos da feira central ficaram sem graça. A feira da Prata perdeu o charme. Macambiras e xiquexiques murcharam. Juritis, asas brancas, ribaçãs arribaram. O povo, a população simples e pobre das periferias de Campina e dos municípios visinhos se encerrou em luto. Campina Grande não comportou a quantidade de pessoas para o último adeus ao poeta que a cidade adotou.

Jackson continuou sem Rosil. Cantou composições de dezenas de outros compositores e muitas suas, que ele não assinava. Cantou o samba nordestino, urbano, da malandragem da periferia do Zepa, de Bodocongó, da Liberdade, do Serrotão e uma diversidade de crônicas riquíssima da vida nordestina. Viveu 15 ou 16 anos sem sua mistura preferida. Num 10 de julho do início dos anos 80, voltam a se misturar noutra dimensão. Jackson volta a encontrar Rosil. Certamente as paisagens cantadas, as histórias narradas, as caricaturas e brincadeiras da cultura regional voltou a ser matéria prima do Café com Leite. A 40 anos da morte de um e 25 da do outro, tenho a impressão que a lacuna deixada por eles ainda não fechou, nem fechará. As estripulias do Bedegueba de pastoril que conquistou o Brasil que formava uma unidade indissolúvel com a pureza da poesia de Rosil desandaram por um tremelique sem graça, como pacote comercial: hermético, fechado, sem poesia, sem a malicia deliciosa dos personagens de Ariano; sem a alma criativa de Zé da Luz; sem os absurdos extravagantes e maravilhosos de Zé Limeira; sem a alma nordestina.

Venceu a imbecilidade do mercado!

Mas a dupla está mais presente do que nunca entre os amantes da boa música. A tecnologia que é usada brutalmente para ferir a cultura popular, também nos permite ouvir Jackson do Pandeiro, sentir o gingado, a malandragem do povão de Campina, do Nordeste, do Brasil. É possível matar a saudade de Rosil Cavalcanti ouvindo o próprio Jackson, mas também Gonzaga e uma diversidade enorme de sons. Pois é, dia 10 de julho é um dia fatídico para a cultura popular nordestina, mas é também o dia de reencontro, da mistura perfeita do Café com Leite.

Rosil Cavalcanti

rosil-cavalcanti

Alguém sabe quem é?

Resposta: Rosil Cavalcanti

A foto acima tem ma dedicatória para Jackson e Almira.

*Fotos extraídas do livro/biografia do Jackson.

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Na foto acima, Jackson do pandeiro e Rosil Cavalcanti, a famosa dupla “Café com leite”.

Compositor e animador de programas de rádio e televisão, Rosil de Assis Cavalcanti nasceu a 20/12/1915, em Macaparana.

Funcionário do Ministério da Agricultura, em 1943 foi transferido para Campina Grande, PB, onde iniciou a carreira de compositor. Autor de 130 canções, algumas delas em parceria com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros.

Suas canções mais famosas: “Sebastiana” (gravada por vários intérpretes, como Jakson do Pandeiro, Gal Costa, etc.), “Na Base da Chinela”, “Quadro Negro”, etc.

Como animador, usava o nome de “Zé Lagoa”, um tipo engraçado que criou e que fez muito sucesso na televisão e, sobretudo, no rádio. Atuou nas rádios Borborema e Caturité e na TV Borborema, todas de Campina Grande.

Nunca gravou uma de suas canções porque reconhecia que tinha “pouca voz”. Na Rádio Borborema, também apresentou o programa Radar, um noticiário policial recheado de humorismo. Compunha todos os gêneros da música regional nordestina (baião, xote, coco etc.).

Morreu em Campina Grande, a 10/07/1968. (Fonte)

Quem somos

Somos uma rede filantrópica colaborativa de colecionadores e músicos.

Uma comunidade que se conheceu e se comunica virtualmente, unidos em torno de uma paixão comum, o forró tradicional.

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Um grade abraço,
DJ Ivan

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